50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo celebra cinco décadas com programação histórica

De 15 a 29 de outubro, a Mostra ocupa salas, espaços culturais e CEUs da cidade com 380 filmes de 93 países, além de retrospectivas, encontros, exposições e homenagens.

Tem coisa que já faz parte da identidade de São Paulo. A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é uma delas. Em 2026, o evento chega à sua 50ª edição e transforma a cidade mais uma vez em um enorme ponto de encontro para quem gosta de cinema, com uma programação que reúne 380 títulos de 93 países entre os dias 15 e 29 de outubro.

Reunindo retrospectivas, sessões especiais, exposições, masterclasses, debates e encontros com cineastas, a programação comemorativa ocupa 57 salas de cinema, espaços culturais e CEUs espalhados pela capital, criando aquela possibilidade que faz a Mostra ser tão especial: escolher um filme pelo nome, descobrir outro completamente por acaso e sair da sessão já pensando no próximo.

Uma edição feita para celebrar a própria história

A 50ª edição também olha para trás. Criada em 1977 por Leon Cakoff e atualmente dirigida por Renata de Almeida, a Mostra chega ao aniversário com uma história que soma 11.692 filmes de 8.474 cineastas exibidos ao longo de suas cinco décadas.

Essa memória ganha uma forma mais concreta na exposição “Tempo e Movimento: Os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo”, concebida pela cineasta e multiartista Daniela Thomas. A mostra ocupa o Solar Fábio Prado e revisita diferentes momentos do evento por meio de uma experiência visual que também celebra a relação da Mostra com artistas responsáveis por seus famosos cartazes.

O nome da exposição recupera uma frase da artista Tomie Ohtake, que definiu o cinema de uma maneira bastante simples ao apresentar a arte da 17ª edição: “Para mim cinema é isso, tempo e movimento”.

Abertura da Exposição da 50ª Mostra – Local: Solar Fábio Prado – Data: 03/10/2026 – Eduardo Tarran/Agência
James Gray abre a programação com ‘Tigre de Papel’

A abertura para convidados acontece no dia 14 de outubro, na Sala São Paulo, com a exibição de ‘Tigre de Papel’, novo filme de James Gray que passou pelo Festival de Cannes. O diretor estará presente e também assina a arte do cartaz desta 50ª edição.

Gray ganha ainda uma retrospectiva especial e recebe o Prêmio Leon Cakoff. A homenagem continua no dia 15 de outubro, quando ‘Tigre de Papel’ será exibido na Sala Petrobras na Mostra, no Solar Fábio Prado, seguido de uma conversa entre o cineasta e Walter Salles.

Antes do longa na abertura, o público convidado poderá assistir a ‘Sul de Teerã’, curta de Kleber Mendonça Filho, que também participa do evento. A programação dedicada a Gray é uma das maneiras encontradas pela Mostra para transformar seu aniversário em uma celebração que olha tanto para o cinema contemporâneo quanto para os nomes que ajudaram a construir sua história.

Abbas Kiarostami também ganha espaço na comemoração

Outro nome fundamental da história da Mostra é Abbas Kiarostami, que ganha uma homenagem especial nesta edição. A relação do cineasta iraniano com o evento atravessou décadas, e seus filmes foram presença constante na programação desde ‘Onde Fica a Casa do Meu Amigo?’, de 1987.

No MIS, a exposição “STEPS – Fotografias Inéditas de Abbas Kiarostami” reúne 60 fotografias em preto e branco de escadarias registradas pelo diretor ao redor do mundo. A exposição fica em cartaz de 20 de outubro a 8 de novembro.

No dia 24, a programação ainda reúne o curta ‘Me Leve pra Casa’ e o longa ‘24 Frames’, ambos de 2016. Depois das sessões, Ahmad Kiarostami, filho do cineasta, conversa com o diretor argentino Lisandro Alonso, que prepara uma adaptação latino-americana de ‘Gosto de Cereja’, com Wagner Moura no papel principal.

Grandes nomes do cinema também passam pela Mostra

Se a ideia é escolher alguns nomes para ficar de olho, a 50ª Mostra não economiza. O cineasta norte-americano Boots Riley, de ‘Desculpe Te Incomodar’, apresenta seu novo filme, ‘I Love Boosters’, conversa com o público e integra o júri da Competição Novos Diretores.

Também fazem parte do júri o iraniano Ali Asgari, o colombiano César Augusto Acevedo e a brasileira Laís Bodanzky. Asgari apresenta ‘Um Pouco de Esperança’, que esteve no Festival de Veneza.

Outro encontro bastante aguardado é com o diretor indiano S.S. Rajamouli, que apresenta uma sessão especial de ‘RRR: Revolta, Rebelião, Revolução’. O longa, vencedor do Oscar de Melhor Canção, ganhou enorme repercussão internacional, mas teve uma particularidade curiosa no Brasil: chegou oficialmente ao público por meio do streaming. Na Mostra, será possível finalmente vê-lo na tela grande e conversar com o próprio diretor, que também recebe o Prêmio Leon Cakoff.

Filmes premiados nos grandes festivais entram na programação

A programação reúne uma seleção considerável de títulos que passaram por alguns dos principais festivais internacionais. Entre eles estão ‘Fjord’, de Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes; ‘Mulher Desconhecida’, de May el-Toukhy, vencedor do Leão de Ouro em Veneza; e ‘Tigre de Papel’, de James Gray.

Para quem acompanha a temporada de premiações, a Mostra ainda reúne 21 produções aptas à disputa pelo Oscar de Filme Internacional, incluindo ‘Feito Pipa’, de Allan Deberton, ‘Fjord’, ‘Mulher Desconhecida’, ‘Elefantes na Névoa’ e ‘Minotauro’, de Andrey Zvyagintsev.

Cinema também para quem está começando

A Mostrinha chega à sua terceira edição dedicada ao público infantil, com 20 longas e um curta-metragem de 20 países. Treze dos filmes são animações, enquanto dez têm produção brasileira e nove contam com mulheres na direção ou codireção. A abertura fica por conta de ‘Clarice Vê Estrelas’, escrito e dirigido por Letícia Pires a partir de seu próprio livro. O filme terá sua estreia mundial na Sala São Paulo, no dia 15 de outubro, com presença da equipe e do elenco.

A programação infantil também amplia a presença da Mostra pela cidade, chegando a equipamentos do Circuito Spcine, CEUs e outros espaços culturais.

A Mostra indo muito além dos filmes

Para quem gosta de entender o cinema para além da tela, o VI Encontro de Ideias Audiovisuais acontece entre 20 e 23 de outubro no Solar Fábio Prado, reunindo debates, painéis e oportunidades de encontro entre profissionais do audiovisual.

A programação também inclui masterclasses, como “O Cinema de Contrapartida em Territórios de Conflito”, com Eliane e Carla Caffé, além de uma conversa de Walter Salles sobre sua série ‘Sócrates Brasileiro’.

A música também ganha espaço com filmes como ‘Neste Quarto’, sobre a cantora portuguesa Carminho; ‘Tribalistas: O Baú da Hora Fértil’; ‘Ensaiando o Brasil’, sobre a Orquestra Jovem Tom Jobim; e ‘Nino – Um Filme sobre Nino Rota’.

E para quem prefere revisitar o cinema de outras épocas, a programação inclui restaurações de obras como ‘Aurora’, de F.W. Murnau, que terá sessões acompanhadas ao vivo pela Orquestra Jazz Sinfônica, além de trabalhos de Andrzej Wajda, Artavazd Pelechian, Patricio Guzmán e outros cineastas fundamentais.

São Paulo como parte da experiência

Talvez uma das coisas mais legais da Mostra seja justamente ela não ficar presa a um único espaço. Nesta edição, os filmes ocupam diferentes regiões de São Paulo e chegam também a equipamentos culturais fora do circuito mais tradicional de salas. A programação ainda se estende para Belém, entre 22 e 28 de outubro, e para dez unidades do Sesc no interior paulista, em cidades como Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos e Taubaté.

No fim, os 50 anos da Mostra são também uma celebração da relação que o evento construiu com a cidade. São cinco décadas fazendo São Paulo parar para entrar em outras histórias, descobrir novos cineastas e reencontrar filmes que continuam emocionando, mesmo muitos anos depois de lançados.

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