Entre feitiços, beijos encantados e paixões fora de controle, “Trago Seu Amor” abraça sem medo sua proposta para construir uma comédia romântica divertida e consciente do próprio absurdo.
Comédias românticas costumam seguir uma fórmula bem previsível, o que torna cada vez mais difícil criar histórias realmente originais no gênero. Em muitos casos, a premissa até parece diferente à primeira vista, mas acaba esbarrando nos mesmos clichês e convenções já conhecidas pelo público. Ainda assim, “Trago Seu Amor” encontra maneiras de se destacar ao construir um universo próprio para desenvolver sua proposta mística.
Dirigido por Claudia Castro, o longa acompanha Mia (Giovanna Grigio), uma jovem bruxa que possui um dom bem diferente: através de um beijo, ela faz com que a pessoa enfeitiçada volte para seu último amor ou se apaixone por ela.. Ao lado de seu fiel assistente Ariel (Diego Martins), Mia transforma o poder em um negócio esotérico voltado para corações partidos. Mas tudo sai do controle quando a própria bruxa acaba se apaixonando por uma das pessoas envolvidas em seus feitiços. A chegada de Rene (Jê Soares), também bruxa e ex-namorada de Yuri (João Manoel), desencadeia uma série de confusões que fazem o feitiço literalmente se voltar contra a feiticeira.
Referências à cultura pop que fazem o humor funcionar
Uma das principais qualidades do filme é como ele conversa com a cultura pop atual. As referências surgem naturalmente, por meio de memes, bordões e elementos da cultura pop que ajudam a reforçar a identidade e o humor da produção. Ao mesmo tempo, o roteiro brinca bastante com temas como consumismo, espiritualidade e o mercado esotérico, criando piadas que funcionam justamente por reconhecer esses comportamentos atuais.
É fato que o público precisará abraçar completamente seu universo. Algumas situações são propositalmente bobinhas e só fazem sentido nas regras criadas pela própria história. Mas os personagens entendem isso e nunca tentam transformar sua fantasia em algo excessivamente realista. Pelo contrário: a direção abraça o lúdico e permite que a magia, os exageros e os clichês coexistam de maneira bastante leve.
“Eu sempre achei patético quem se humilha por outra pessoa. Mas agora que a pessoa é você, faz todo sentido.”
No meio das confusões, “Trago Seu Amor” acaba construindo uma mensagem bonita sobre amor, rejeição e vulnerabilidade. Existe um lado quase pilantra na forma como ele conduz suas situações mais absurdas, e isso acaba se tornando parte importante do charme da produção. O filme consegue criar um universo divertido e até irônico, proporcionando uma experiência leve, engraçada e com coração. E mesmo trabalhando com fórmulas conhecidas das comédias românticas, a história encontra espaço para discutir algo muito simples, mas bastante verdadeiro: não é possível obrigar alguém a amar ou esquecer outra pessoa.





