De indie pop e rock alternativo a sons eletrônicos, nostálgicos e melancólicos, confira 10 músicas que entraram no nosso radar e merecem um espaço na sua playlist.
Sabe aquela sensação boa de encontrar uma música por acaso e pensar: “como é que eu ainda não conhecia isso?”. É justamente esse tipo de descoberta que traz a nova edição do ‘Achadinhos do Groover‘. Entre artistas independentes de diferentes lugares e estilos, selecionamos dez músicas que chamaram nossa atenção nas últimas semanas e que têm tudo para conquistar espaço entre aquelas faixas que você vai querer ouvir de novo.
Trouble – Folket
Começando com um rock alternativo de forte influência do som contemporâneo europeu, Folket traz aquela mistura de guitarras pesadas, baixo destacado e vocais mais ásperos que ajudou a colocar nomes como Måneskin no centro do rock atual. Em “Trouble”, a voz rouca dá um contraste interessante para uma música que fala sobre uma noite de excessos e decisões impulsivas, enquanto o baixo conduz a primeira parte da faixa e deixa espaço para as guitarras ganharem força ao longo da composição. O solo no meio da música é um dos pontos mais altos, porque muda a dinâmica e com uma energia que combina bastante com quem gosta de um rock alternativo mais encorpado.
Bienvenue – Heat Treatment
Depois da pegada mais dançante em “Time Zone”, vamos para outra direção com o Heat Treatment. “Bienvenue”, mergulha em uma mistura de indie pop psicodélico e referências dos anos 80. A música tem aquela produção que parece levemente empoeirada de propósito, com texturas lo-fi, sintetizadores e um groove que deixa tudo mais solto, quase como se uma banda indie tivesse encontrado uma fita antiga de pop psicodélico e decidido reconstruí-la do próprio jeito. Dá para pensar em Tame Impala e MGMT, mas com uma pegada mais rítmica. Essa é para quando você quer algo lisérgico, mas ainda quer sentir a música se movimentando.
July – Lowell
Essa entrou para a minha lista das músicas que mais ouvi no mês. “July” é daquelas que conseguem transformar uma situação péssima em um pop leve e ensolarado. Lowell, que cresceu em San Antonio e se mudou para Los Angeles para seguir a carreira musical, também traz para o próprio trabalho a experiência como compositor de trilhas para cinema, e isso aparece na forma como a música vai construindo suas pequenas mudanças de clima. A história por trás da faixa é quase cruel de tão cotidiana: depois de descobrir uma traição e ainda preso ao mesmo apartamento por causa do contrato de aluguel, ele imaginou que talvez tudo pudesse dar certo se os dois conseguissem chegar até julho. O mais interessante é que ele preferiu uma vibe de manhã de verão, com os vidros do carro abertos e o sol entrando pela janela, em vez de um som melancólico. A sonoridade pode agradar quem gosta de Dayglow e Peach Pit, mas aqui a leveza esconde uma história bem mais amarga.
Who’s Going Down – James Tonic
Agora a gente diminui um pouco as luzes e entra naquele momento em que a festa já está acabando. James Tonic chega aqui com um dream pop melancólico e sonhador, daqueles que abraçam a gente de madrugada, por meio dos vocais suaves e uma vibe nostálgica. Com sete álbuns lançados e mais de 23 milhões de streams em 238 territórios, o artista mantém uma trajetória totalmente independente e já construiu um catálogo bastante sólido dentro dessa sonoridade. Se você gosta de Cigarettes After Sex, Lana Del Rey e The 1975, essa é uma ótima companhia para aquele fim de noite em que você quer se perder em pensamentos, mas com uma trilha sonora.
Fever Dreaming – Kalie Shorr
Aproveitando que estamos nesse momento no fim da noite, em que você fica perdido nos próprios pensamentos, agora vamos pensar que, nesses pensamentos, tem uma pessoa específica ocupando espaço. É exatamente aí que entra “Fever Dreaming”, de Kalie Shorr. A cantora transforma a vontade de passar mais uma noite com alguém que você sabe que nunca poderá ter em um indie pop nostálgico, cheio de guitarras que carregam a mesma doçura amarga da letra. A faixa bebe diretamente do pop guiado por guitarras do fim dos anos 90 e começo dos 2000, trazendo referências como Michelle Branch, The Cranberries e Liz Phair, mas com uma produção mais atual. E tem um detalhe que deixa tudo ainda mais interessante: Kalie produziu a música ao lado de Butch Walker, conhecido por trabalhos com Taylor Swift, Avril Lavigne e Green Day.
Calling After You – Loring
Saindo da madrugada e voltando algumas décadas, “Calling After You” parece ter escapado diretamente de uma trilha sonora dos anos 80, ou até de um episódio de Stranger Things. Loring é uma dupla independente de San Diego formada por dois melhores amigos que escrevem, produzem e mixam tudo em um estúdio caseiro, e essa estreia transforma a sensação meio desnorteada de começar a gostar de alguém sem saber se o sentimento é recíproco em um indie pop cheio de sintetizadores brilhantes, guitarras e uma produção cinematográfica. A referência oitentista passa por A-ha e The Blue Nile, enquanto a mistura com guitarras e uma produção mais moderna aproxima a faixa de The Strokes e LCD Soundsystem. O resultado é uma viagem no tempo ou nos seus próprios sentimentos (depende do seu mood).
Weightless – Loring
E tudo que é bom pede replay, então vamos de mais Loring. Se “Calling After You” parecia ter saído de uma trilha sonora dos anos 80, “Weightless” mantém essa viagem no tempo, mas pisa um pouco mais fundo no acelerador. Os sintetizadores ficam mais pesados, as guitarras ganham presença e as camadas de som deixam a faixa com uma energia mais intensa, enquanto a letra fala sobre aquele momento em que a cabeça está tão cheia que a única saída parece ser desligar tudo por alguns minutos. É mais uma prova de que a dupla de San Diego encontrou um caminho muito interessante entre o pop alternativo atual e aquela sonoridade oitentista que continua irresistível (ai, adoro os divos!).
No Angel – Emily Bjorke
Saindo dos anos 80 e vindo direto para o presente, encontramos uma tarde ensolarada. “No Angel”, de Emily Bjorke, tem aquele pop aberto e luminoso que combina com um passeio sem pressa, mas a letra coloca uma camada bem mais complicada por baixo dessa leveza. Enquanto a percussão de mão acompanha a música discretamente, a segunda parte ganha mais força com a entrada mais marcada da bateria e da guitarra, criando uma mudança gostosa de energia sem perder o clima ensolarado. E esse contraste fica mais interessante com a letra por trás da melodia leve; existe uma história de amor que machuca, espera, frustração e até um certo ressentimento, resumida naquele “eu te amo e isso está me matando”. É pop para uma tarde bonita, mas com pensamentos que talvez não sejam tão bonitos assim.
Vozes – Chico Balanceado
Não tem como falar de música boa sem falar de música brasileira, e o Chico Balanceado é um ótimo exemplo de como o rock daqui continua encontrando caminhos interessantes. Formado por três jovens de Curitiba, Pedro Koti, Rafael Lanzarini e Thiago Oliveira, o trio vem movimentando a cena autoral da cidade desde 2024 e lançou em junho o primeiro álbum, Pegue O Que Quiser, depois de cerca de dois anos trabalhando nas músicas. Em “Vozes”, eles juntam rock alternativo, uma letra mais emocional e uma produção que eu descreveria como uma mistura de Supercombo com Terno Rei. A música tem guitarras bem presentes, mas com aquele equilíbrio entre peso e melodia, sem abrir mão da sensibilidade que aparece nas letras da banda.
My Little Sister – Ed & The Blondes
Uns falam de amores não correspondidos, outros transformam situações da vida em música, mas Ed & The Blondes decidiu seguir por um caminho muito mais fofo: escrever uma música para a própria irmã. O projeto é comandado por Edgar de Sacy, cofundador do coletivo parisiense Les Nuits Blondes, e marca uma nova fase depois de três anos dedicados à cena eletrônica e às pistas de dança. Em “My Little Sister”, ele troca a pista pela canção e entrega um indie pop eletrônico cheio de melodias que grudam rapidamente, com uma emoção que fica ainda mais especial quando você descobre a história por trás da música. É simples no melhor sentido possível: uma declaração carinhosa para alguém importante, transformada em uma música gostosa de ouvir e fácil de se conectar. E o clipe é um dos mais lindos que já vi.
Vale o play
No fim, talvez essa seja a melhor parte de procurar música nova: nunca dá para saber qual faixa vai acabar ficando com você. Algumas chamam atenção pela produção, outras pela história ou simplesmente por aquela sensação difícil de explicar que faz você apertar o replay assim que termina.
Então salva a seleção, compartilha com quem também vive procurando música nova e, principalmente, dá uma chance para esses artistas. Vai que, daqui a algum tempo, você olha para trás e percebe que estava ouvindo alguns deles antes de todo mundo.