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O Grande Sertão: amor e sobrevivência em um sertão distópico

Filme se destaca pela ousadia com que aborda alguns temas, desafiando as convenções do gênero e oferecendo uma visão rica da condição humana




O Grande Sertão‘, é uma adaptação distópica da obra clássica de João Guimarães Rosa, ‘Grande Sertão: Veredas‘. Dirigido por Guel Arraes (O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro) o filme transporta a saga de Riobaldo para um cenário desolador, reinterpretando uma narrativa literária complexa, mas também criando uma reflexão poderosa sobre a natureza humana e suas conexões com o poder e sobrevivência.


O sertão distópico e a caminhada de Riobaldo

Ambientado em um sertão onde a aridez e a brutalidade criam um caos de um mundo pós-apocalíptico, o longa segue a jornada de Riobaldo, um professor enigmático e multifacetado, que se encontra em uma busca por vingança e autoconhecimento. O deserto distópico do sertão é retratado com uma cinematografia que destaca tons de cinza, criando uma mistura entre a beleza da fotografia criativa e a rusticidade brutal. Através deste cenário, fica claro o simbolismo da luta constante pela sobrevivência e a escassez de recursos, refletindo as tensões e dilemas morais enfrentados pelos personagens.



Riobaldo e Diadorim

Caio Blat impressiona na interpretação de Riobaldo, capturando lindamente a dualidade do personagem, que se divide entre moralidade, amor e violência. Diadorim, interpretada por Luisa Arraes, é apresentada como uma guerreira enigmática em um mundo onde as identidades são constantemente questionadas e reconstruídas, adicionando uma camada de complexidade ao relacionamento central do filme. A tensão entre os dois é bem desenvolvida, oferecendo uma visão profunda da natureza do amor. Riobaldo é marcado por uma tensão constante entre a atração e a repressão, enquanto Diadorim, apesar de sua força exterior, mantém um segredo sobre sua verdadeira identidade, o que adiciona uma camada de mistério e tragédia ao romance.

Por outro lado, o professor é dividido entre seu desejo por Diadorim e sua confusão sobre os sentimentos que essa relação sugere. A ambiguidade de gênero de Diadorim desafia Riobaldo a confrontar suas próprias noções de identidade e amor. Essa dinâmica complexa e emocionalmente carregada é essencial para a narrativa, explorando temas universais de identidade, amor e sobrevivência em um ambiente agressivo.






Reinvenção e diálogos poderosos

A adaptação não se esquiva dos temas centrais do romance original, mas ao reinventá-los para um contexto distópico, cada diálogo traz um novo ponto de vista. As atuações preenchem a tela com um talento impressionante. Entre os destaques estão Luis Miranda interpretando Zé Bebelo, Rodrigo Lombardi como Joca Ramiro, Luellem de Castro como Nhorinhá, e Eduardo Sterblitch como Hermógenes. Cada personagem tem momentos de diálogo que roubam a trama, oferecendo ao telespectador várias perspectivas e questionamentos sobre o que é certo ou errado. A produção mostra que todos os lados têm suas próprias motivações, aumentando ainda mais a complexidade da narrativa.


Mistura de gêneros e exploração moral

A direção de ‘O Grande Sertão‘ é ambiciosa, combinando elementos de western, ficção científica e drama psicológico. A luta pelo poder, a corrupção e a ambiguidade moral são exploradas com uma nova intensidade. O pacto com o diabo, uma metáfora poderosa no livro, é atualizado para refletir os compromissos éticos que os personagens devem fazer para sobreviver em um mundo insensível. Essa perspectiva levanta questões sobre a natureza da humanidade e as consequências das escolhas que fazemos, especialmente em tempos de extrema adversidade. A direção hábil conduz o público por um cenário de dilemas morais complexos, desafiando percepções tradicionais de certo e errado e destacando a resiliência humana em face da desolação.






Beleza na devastação

A estética visual impressiona por capturar a devastação enquanto extrai poesia dessa desolação. Em um momento marcante, durante o beijo de dois personagens, o lixo ao redor começa a se espalhar devido a uma ventania. Esse caos se encaixa perfeitamente com o clímax da cena, transformando elementos de abandono em uma beleza poética. Durante uma festa, a trilha sonora se transforma com elementos eletrônicos e tons de azul, criando uma energia visual dinâmica. Esse contraste enriquece os diálogos e os eventos ao redor, que rapidamente evoluem para cenas de combate coreografadas, intensificando a narrativa e destacando a capacidade do filme de entregar beleza na desgraça.


Críticas e desafios narrativos

Apesar de tudo, o filme não está isento de críticas. São pequenas falhas, como a caracterização de Diadorim, que poderia ter trazido uma representação mais andrógina em vez de acentuar o feminino. Outro ponto é a estrutura narrativa: enquanto fiel à complexidade do romance original, pode ser confusa para aqueles que não estão familiarizados com a história. A linguagem lírica do filme, embora enriqueça a trama, pode desorientar o público. Além disso, a profundidade dos temas abordados exige um nível de introspecção e paciência que nem todos os espectadores podem estar dispostos a oferecer. Esses elementos, se por um lado tornam o filme uma obra rica e desafiadora, por outro podem limitar seu apelo a um público mais amplo, acostumado a narrativas mais lineares e acessíveis.



Conclusão

Em conclusão, ‘O Grande Sertão’ utiliza o romance entre Riobaldo e Diadorim para explorar temas universais de amor, identidade e sacrifício. Ele humaniza a brutalidade dentro desse cenário distópico, oferecendo um contraste com a desolação e a violência que atravessam o filme. A relação deles adiciona uma dimensão emocional profunda à história, tornando as decisões e os dilemas enfrentados pelos personagens mais significativos para o público.

O filme se destaca pela sua ousadia e pela profundidade com que aborda temas universais. Ele não só reinterpreta uma obra-prima literária, mas também a recontextualiza de uma maneira que bate profundamente com as ansiedades e esperanças do mundo contemporâneo. Uma obra que exige reflexão, proporcionando uma experiência desafiadora, chocante e difícil de se esquecer.

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