‘SOCORRO!’: McAdams e O’Brien perdidos numa ilha com a bagunça sangrenta que só o Raimi sabe fazer

Tem filme que chama atenção pela assinatura única do diretor, outros pelo carisma de algum ator. ‘Socorro!’ junta tudo isso: Raimi fazendo o que sabe de melhor enquanto McAdams e O’Brien topam entrar com tudo nessa loucura

Como uma montanha-russa, ‘Socorro!’ começa devagar, quase inocente, mas você sente que tem algo chegando. Essa tensão funciona como isca perfeita para o caos que vem depois. Quando finalmente explode, Sam Raimi não economiza nas reviravoltas. O roteiro brinca com a gente de um jeito esperto. A gente nunca sabe direito onde está pisando, e essa instabilidade vira combustível para a experiência toda. O filme joga com as convenções que a gente conhece, para depois despedaçá-las.

Gore fundido à narrativa e personagens que grudam na gente

Raimi entende como ninguém o propósito do gore no cinema e provou isso muito bem. Desta vez, o sangue, vísceras e os momentos brutais funcionam como pontuação, mostrando como os protagonistas vão desmoronando com tudo ao redor. Mas, além de feridas expostas, o desconforto também vem de outros lugares. Algumas cenas provocam, por meio de comida filmada bem de perto, invadindo o espaço pessoal, transformando o banal em nojento. Essa mistura entre horror clássico e repulsa do dia a dia é mais um dos toques geniais do filme.

Rachel McAdams dá um show como protagonista que transita entre vulnerabilidade e determinação raivosa. A personagem dela começa meio largada, quase apática, no trabalho sufocante. Mas algo acorda quando ela pisa na ilha tropical e McAdams conduz essa evolução com cuidado, mostrando camadas de raiva reprimida finalmente encontrando saída. Dylan O’Brien complementa perfeitamente esse jogo doido. A química entre os dois muda o tempo todo, oscilando entre atração, desconfiança e horror mútuo. Funcionam lindamente juntos, justamente por serem imperfeitos, por tomarem decisões questionáveis que fazem a gente parar e pensar: “Será que eu faria diferente?

Essa identificação incômoda é um dos principais acertos do filme. Os personagens nunca pedem nossa aprovação moral. Eles apenas existem, reagem, sobrevivem. E a gente fica ali grudado tentando processar se concorda ou não com escolhas cada vez mais extremas.

Dylan O’brien interpreta Bradley Preston em ‘SOCORRO! Créditos: 20th Century Studios. © 2025 20th Century Studios. Todos os Direitos Reservados.
Crítica social disfarçada e Sam Raimi em sua pura essência

Por baixo das camadas de sangue falso, ‘Socorro!’ esconde comentários sobre trabalho tóxico. O filme funciona como um manifesto hilário para o trabalhador esmagado por um chefe idiota. Raimi embute essas reflexões naturalmente, sem soar como sermão chato ou aquela propaganda forçada. O longa marca a volta do diretor ao território que ele domina. Após alguns filmes mais comportados, vê-lo soltando a criatividade sem freio parece aquele encontro com amigo antigo que você não via há tempos.

A direção nunca deixa ficar monótono, mesmo com cenário limitado de duas pessoas numa ilha. Raimi encontra ângulos específicos, transições criativas, momentos de puro cinema experimental encaixados em estrutura aparentemente normal. Tem base de comédia romântica: protagonistas com química complicada, situação de isolamento forçado, desenvolvimento emocional por conflito. Mas depois enfia faca no próprio gênero. Claramente mira mais na comédia de suspense que no terror, algo que poderia desandar fácil. Mas funciona porque o diretor confia totalmente na premissa maluca que construiu.

No final, ‘Socorro!’ acerta onde importa: entretém, choca, diverte e incomoda nas medidas certas.

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