Supergirl destaca a atuação de Milly Alcock, o roteiro de Ana Nogueira e a força da nova fase do Universo DC.
Após décadas sendo lembrada principalmente como “a prima do Superman“, “Supergirl” finalmente entrega à personagem o protagonismo que ela sempre mereceu. Inspirado na minissérie em quadrinhos Supergirl: Mulher do Amanhã (2021), o novo filme da Warner Bros. e DC Studios entende que Kara Zor-El não precisa existir à sombra de Clark Kent para ser interessante.
Enquanto o Superman representa esperança quase inabalável, Kara é construída como alguém que ainda procura seu lugar no universo. O filme transforma essa busca em seu principal conflito, oferecendo uma protagonista mais impulsiva, emocional e marcada pelas experiências que viveu antes mesmo de chegar à Terra.

Craig Gillespie imprime personalidade, mas James Gunn continua presente em cada detalhe
A direção fica nas mãos de Craig Gillespie, conhecido por trabalhos como “Eu, Tonya” e “Cruella“, e sua experiência em construir personagens fortes aparece durante toda a narrativa. Mesmo assim, é impossível não perceber a presença criativa de James Gunn. Como um dos arquitetos do novo Universo DC ao lado de Peter Safran, Gunn supervisiona toda a construção desse universo compartilhado e sua assinatura aparece na trilha recheada de pop-punk, criaturas alienígenas de todas as cores e formatos e aquele equilíbrio entre emoção e irreverência. Tudo isso conversa diretamente com o tom estabelecido em “Superman”.
Grande parte desse resultado passa pela atuação de Milly. A atriz acerta ao interpretar uma Kara muito diferente da imagem tradicional da personagem, entregando entrega força, sarcasmo e impulsividade. Uma das melhores decisões do roteiro é evitar transformá-la apenas em uma versão feminina do Superman. Kara possui conflitos próprios, uma personalidade completamente distinta e uma maneira muito particular de enxergar o mundo.
Ana Nogueira encontra o coração da história
Até onde podemos ir por quem amamos? Essa pergunta atravessa praticamente toda a história e conecta diretamente Kara à jovem Ruthye Marye Knoll, interpretada por Eve Ridley. As duas personagens se tornam parceiras de viagem, compartilhando o mesmo sentimento de perda, afeto e determinação. Essa relação acaba sendo o principal motor emocional do filme e faz com que a aventura nunca dependa apenas de explosões ou batalhas para envolver o público.
Como segunda grande produção cinematográfica do Capítulo Um: Deuses e Monstros, “Supergirl” também cumpre uma missão importante no novo DCU. O filme apresenta novas regiões desse universo, expande a mitologia criada por Gunn e prepara terreno para futuras histórias. Mesmo assim, a produção consegue existir dentro de um universo compartilhado sem parecer apenas uma ponte para os próximos filmes.
O longa constrói uma personagem completa
Kara é impulsiva, imperfeita, teimosa e muitas vezes emocionalmente perdida. Ainda assim, existe nela o mesmo desejo que move seu primo: ajudar as pessoas. A diferença está no caminho que ela percorre para chegar até essa conclusão. E ao invés de tentar repetir a fórmula de ‘Superman’, ‘Supergirl’ encontra uma identidade própria, respeitando o material original, para ocupar seu espaço como uma das figuras mais interessantes do novo Universo DC.