Vidas Entrelaçadas | Um drama pessoal no mundo da moda e três trajetórias que se encontram

Com Angelina Jolie no elenco, drama ambientado na Semana de Moda de Paris mistura vulnerabilidade, carreira e recomeços.

Dirigido por Alice Winocour, o filme utiliza o universo da moda como pano de fundo para contar uma história muito mais íntima e delicada. O retrato glamouroso se transforma em uma reflexão sobre temas como fragilidade, identidade e sobrevivência emocional. A narrativa acompanha três personagens cujas histórias se entrelaçam durante a Semana de Moda de Paris. Maxine, lidando com questões pessoais profundas; Angèle, interpretada por Ella Rumpf, uma maquiadora que tenta organizar a própria vida enquanto escreve; e Ada, vivida por Anyier Anei, uma jovem modelo em início de carreira que encara um mundo totalmente novo.

Na pele de Maxine, Angelina Jolie entrega uma atuação contida, mas carregada de grandeza. A personagem é uma cineasta americana que chega a Paris para dirigir um curta ligado a um grande desfile, mas vê sua rotina virar de cabeça para baixo ao receber um diagnóstico que muda completamente sua perspectiva. A conexão com a própria trajetória da atriz dá uma camada extra de verdade ao papel.

Angelina Jolie e Louis Garrel em ‘Vidas entrelaçadas’ | Foto: Divulgação

Winocour tem em sua assinatura uma direção ancorada em um cinema onde a narrativa vai para uma construção mais lenta ao invés de muita explicação. Assim como em ‘Augustine‘(2012) e ‘Memórias de Paris‘ (2022), em ‘Vidas Entrelaçadas’, esse traço surge na maneira como a cineasta privilegia silêncios, gestos contidos e uma câmera sempre próxima dos personagens, permitindo que o espectador absorva com calma o estado emocional.

Sem exageros, a direção aposta em pequenos gestos, silêncios e diálogos pontuais para construir tensão. Há momentos especialmente marcantes, como uma conversa inesperada entre Maxine e Angèle, que carrega um dos maiores picos emocionais da história. Embora seja ambientado em um dos eventos mais visuais do mundo, o filme usa figurinos e desfiles mais como composição do que como foco principal. Ainda assim, esses elementos ajudam a reforçar o contraste entre o brilho externo e o desgaste interno das personagens, especialmente ao mostrar os bastidores intensos enfrentados pelas modelos.

No fim, o filme se constrói como um retrato delicado sobre mulheres em momentos de ruptura. Com atuações impactantes e uma perspectiva mais introspectiva, a produção revela sua força, que gradualmente domina a cena sem que você perceba.

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