Filmado em Porto Alegre, Ato Noturno usa a cidade como personagem em uma trama de erotismo, política e perigo que estreia dia 15 de janeiro.
Dirigido por Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, ‘Ato Noturno’ mistura erotismo, política e suspense ao acompanhar Matias, um ator ambicioso, e Rafael, um político em ascensão, que descobrem compartilhar um fetiche por sexo em lugares públicos. À medida que se aproximam do sucesso profissional, cresce também o desejo de se colocarem em risco, causando um conflito entre a imagem pública e o impulso íntimo.
Em entrevista para o Capívara Alternativa, os diretores e a equipe falam sobre escolhas estéticas, personagens e trilha sonora do filme:
Quando vocês perceberam que essa história precisava ser um noir queer, e não um drama ou algo mais comercial?
Marcio Reolon – Bom, o Filipe e eu adoramos cinema de gênero. É algo que a gente consome muito, assiste muito, e sempre teve vontade de trabalhar com isso. Quando pensamos nessa história, no início achamos que poderia ser um noir mais clássico, até um neo noir. Mas, conforme o roteiro foi se desenvolvendo, percebemos que ele se encaixava melhor como um suspense erótico. É esse tipo de suspense que está sempre equilibrando perigo e desejo. Basicamente, são essas duas pulsões que movem os protagonistas, o Matias e o Rafael, ao longo da trama.
Você acha que o público se reconhece mais em Matias, que quer ser visto, ou em Rafael, que tem medo de ser?
Cirillo Luna – Essa é uma pergunta bem difícil de responder. Tenho minhas dúvidas e acho que pode ser meio a meio. Tem muita gente, principalmente da nova geração, que vem com um desejo grande de se expor, e esse medo acaba sendo mais relativo. Essa galera talvez se identifique mais com o Matias. Mas também existe muita gente, especialmente de gerações mais antigas, que ainda tem muito medo de se assumir, de falar sobre os próprios desejos, e pode se reconhecer mais no Rafael. Eu realmente não consigo dizer se é mais um ou outro. Acho que fica dividido mesmo.
O filme é descrito por vocês como um ato de desobediência. Desobedecer a quê, exatamente (sem spoilers)?
Filipe Matzembacher – Hoje o desejo é cada vez mais colocado de lado, mais oprimido, por diversas esferas da sociedade. O que acontece no filme é que o desejo entra em conflito com essa ambição social e liberal. A narrativa acompanha uma jornada onde os personagens precisam escolher em determinado momento: seguir vivendo uma vida de aparências, que tira a subjetividade, ou fazer o caminho oposto e celebrar o desejo. Sem dar spoilers, o filme caminha para um sentido que desestabiliza a norma social.
Como a trilha sonora ajudou a construir essa atmosfera de perigo, desejo e cinema de gênero?
Thiago Pethit – Ato Noturno é meu primeiro filme com trilha original, e fui bastante sortudo. Por ser um filme de gênero, tive a chance de brincar com um tipo de música que eu já faço, algo mais noir, com essa ambiência de cinema. É um filme cheio de referências cinematográficas e códigos muito claros. Bernard Herrmann, o cinema do Hitchcock, Pino Donaggio, os filmes do Brian De Palma foram grandes inspirações. Ao mesmo tempo, tentei olhar para essas ideias clássicas de uma forma contemporânea, trazendo isso para o agora.
Estreia nos cinemas brasileiros
Entre desejo, ambição e risco, a história provoca, incomoda e deixa perguntas no ar, apostando no suspense e no erotismo para desafiar o que é esperado, tanto dos personagens quanto de quem está assistindo. Distribuído pela Vitrine Filmes, ‘Ato Noturno’ chega aos cinemas no dia 15 de janeiro.