O que o novo filme diz sobre o momento de Joe Keery no cinema?
Versatilidade é a palavra que melhor resume a fase atual de Joe Keery e, também o ponto de partida para entender ‘Alerta Apocalipse‘. Longe de funcionar apenas como mais um thriller de ação, o longa se encaixa como uma peça específica na construção de carreira de um ator que parece interessado em evitar zonas de conforto.
Conhecido do grande público por Stranger Things, Keery tem feito escolhas que dialogam menos com franquias e mais com personagens de risco controlado. Em ‘Alerta Apocalipse‘, ele interpreta Teacake, um jovem envolvido em uma missão improvável para conter uma ameaça biológica que escapa de uma instalação militar. O filme aposta em ação direta, humor seco e tensão constante e é justamente nesse equilíbrio que o ator encontra espaço para operar fora do arquétipo que o consagrou na TV.
O interessante aqui não é apenas o enredo de sobrevivência, mas o contraste entre gerações dentro da narrativa. Ao dividir a cena com Liam Neeson, Keery ocupa o papel do personagem menos experiente, mais irônico e reativo ao caos, funcionando quase como um termômetro emocional do público. O roteiro sabe disso e explora o sarcasmo como válvula de escape, evitando o tom excessivamente solene comum ao gênero.
Para quem acompanha a trajetória do ator além das telas, o filme também conversa com sua atuação na música. Sob o nome DJO, Keery construiu uma identidade artística paralela que valoriza experimentação e estranhamento, dois elementos que, em menor escala, também aparecem aqui. Não por acaso, seus projetos audiovisuais mais recentes costumam orbitar personagens deslocados, que parecem sempre um pouco fora do lugar.
Talvez a pergunta mais interessante que ‘Alerta Apocalipse‘ provoca não seja sobre o futuro da franquia ou da história, mas sobre o próprio Joe Keery: até que ponto essa versatilidade é uma fase e quando ela se consolida como método? O filme não fecha essa resposta, mas oferece pistas suficientes para manter o debate aberto e o ator em movimento.
No fim, ‘Alerta Apocalipse‘ funciona menos como evento e mais como sinalização. Para o público, é um entretenimento eficiente. Para Keery, é mais um passo calculado em uma carreira que parece preferir curvas a linhas retas.