Open Air Brasil encerra sua 36ª edição com show de Billie Eilish dirigido por James Cameron

Open Air Brasil encerra sua 36ª edição em São Paulo com filme-concerto de Billie Eilish dirigido por James Cameron e uma noite de festa entre fãs

Na noite deste domingo (18), o Jockey Club de São Paulo virou uma extensão de um show de Billie Eilish. Para encerrar sua 36ª edição, o Open Air Brasil exibiu Billie Eilish: Hit Me Hard and Soft – The Tour, filme-concerto dirigido pela cantora em parceria com James Cameron. O público que ocupou o espaço não se restringiu a assistir à apresentação registrada nas telas: cantou em coro, dançou diante da projeção e transformou a última sessão do festival em uma despedida organizada naturalmente pelos próprios fãs.

Ao longo de 13 dias, entre 6 e 18 de outubro, o evento reuniu cinema, música, gastronomia e atividades interativas na estrutura montada no Jockey Club. A programação chegou ao fim com uma sessão que deixou evidente como a experiência coletiva pode modificar a maneira de consumir um filme, especialmente quando a produção registra uma artista com uma base de fãs tão engajada.

Fãs transformam sessão de Billie Eilish em experiência de show

Os portões abriram às 16h, mas a programação começou antes mesmo de o público ocupar seus lugares diante da tela de 325 m². Entre as atividades disponíveis, os fãs puderam personalizar caderninhos com fotografias de Billie Eilish e participar de ativações com acessórios associados ao visual da cantora, como gravatas, luvas e bandanas. Outras experiências oferecidas pelo evento completaram a recepção do público.

Pouco depois das 18h, o aviso sonoro pediu que todos se acomodassem para o início do filme, mas bastaram as primeiras imagens na tela para o público explodir em gritos. Em músicas como “CHIHIRO”, “WILDFLOWER” e “when the party’s over”, os fãs cantaram em coro, acompanhando os detalhes da apresentação gravada em Manchester. Mas foi durante “THE DINER” que alguns fãs começaram a deixar os assentos para dançar e pular diante da tela, ação que logo contagiou outros espectadores e transformou a área em uma espécie de pista improvisada. Enquanto alguns preferiram continuar assistindo sentados, outros aproveitaram o espaço para cantar e dançar como se estivessem em um show de Billie. Nas músicas mais lentas, teve até quem se sentasse no chão para acompanhar a apresentação. A empolgação tomou conta do espaço e mostrou como os fãs encontraram ali uma maneira de viver juntos a experiência de uma turnê que, para muitos, talvez só pudessem acompanhar pelas telas.

Uma programação que aproximou diferentes gerações de cinéfilos

A despedida musical encerrou uma temporada marcada pela variedade de gêneros e propostas. A programação do Open Air Brasil combinou estreias aguardadas, produções independentes, clássicos, animações e experiências musicais, buscando atrair tanto quem acompanha os lançamentos recentes quanto quem prefere revisitar obras importantes da cultura pop.

Entre os destaques estiveram Michael, cinebiografia do Rei do Pop; O Diabo Veste Prada 2; A Odisseia; Thelma & Louise; e Rosebush Pruning. As sessões de Moana, Toy Story 5, O Mandaloriano e Grogu, Carros e A Galinha Pintadinha: O Filme ampliaram o alcance da programação para o público infantil e as famílias.

A segunda semana trouxe outras atrações de peso. Akira ganhou uma exibição em 4K, enquanto Kill Bill: Todo o Sangue Derramado reuniu os dois volumes da saga de Quentin Tarantino em uma única sessão de aproximadamente quatro horas e meia. Também passaram pela tela Obsessão, Ponto Sem Retorno, novo filme de Ridley Scott, e Dia D, produção de Steven Spielberg.

A música teve presença importante durante toda a temporada, com apresentações como as de Letrux e Yago Oproprio, além de sets de DJs. O encerramento com Billie Eilish retomou essa proposta de aproximar linguagens artísticas, mas encontrou um diferencial na participação do público: em vez de acompanhar apenas uma apresentação preparada no palco, os fãs construíram sua própria celebração diante da tela.

Nas redes sociais, a divulgação da programação também colocou em evidência a combinação entre grandes produções, títulos nostálgicos e atrações musicais. A variedade de filmes ajuda a explicar a proposta do festival, que não depende de um único gênero ou perfil de espectador para criar interesse. A sessão de Billie sintetizou esse espírito ao mostrar que até mesmo um filme-concerto pode assumir características de um evento ao vivo quando encontra uma plateia disposta a participar.

Mais de duas décadas de cinema sob o céu aberto

A história do Open Air Brasil começou em 2002, no Rio de Janeiro. A ideia partiu do produtor cultural Renato Byington, que conheceu em Portugal uma proposta de cinema com tela gigante que fazia sucesso na Suíça. Depois de um período de negociações para trazer o formato ao país, o projeto ganhou sua primeira edição brasileira no Jockey Club Brasileiro. Desde então, o evento expandiu sua atuação para diferentes cidades brasileiras e também chegou a Lisboa e Madri. Ao longo dessa trajetória, acumulou mais de um milhão de espectadores, centenas de filmes exibidos e dezenas de apresentações musicais, consolidando uma proposta que combina exibição cinematográfica e entretenimento ao ar livre.

Despedida que reforça a força da experiência coletiva

O encerramento com Billie Eilish foi uma escolha especialmente feliz para uma edição que apostou no encontro entre cinema, música e público. A movimentação diante da tela, os coros que acompanharam as canções e a liberdade de cada espectador para encontrar sua própria maneira de participar deram à última noite uma experiência própria.

Ao longo da temporada, cada sessão ofereceu uma possibilidade diferente de envolvimento: a descoberta de uma história inédita, o reencontro com personagens conhecidos, a experiência de rever um clássico ou a oportunidade de compartilhar a paixão por um artista. No caso de Billie, essa conexão transformou a exibição em uma festa coletiva.

Ao completar sua 36ª edição, o Open Air Brasil reafirma o valor de experiências culturais que são capazes de ir além da obra projetada. O festival termina, mas deixa a lembrança de que assistir a um filme também pode significar cantar com desconhecidos, reencontrar histórias queridas e descobrir novas maneiras de se conectar com a cultura.

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