WICKED BRASIL: 8 meses em cartaz, mais de 500 mil espectadores e emoção que se mantém

Montagem brasileira no Teatro Renault mantém fôlego de superprodução e público cativo do início ao fim, num musical que continua com cara de estreia

Oito meses depois da reestreia em São Paulo, a terceira montagem de Wicked segue lotando o Teatro Renault e mantendo um clima de “primeira vez” a cada sessão. A fila na porta, a mistura de fãs veteranos e curiosos, gente de verde e rosa, referências a Oz e um burburinho animado antes do início já entregam o tom de experiência de evento, não só de um mero espetáculo em cartaz.

Com o avanço da temporada, o musical mostra que é realmente um dos títulos mais sólidos do circuito de teatro musical brasileiro. Isso porque Wicked entrega exatamente o que o público espera de uma superprodução: emoção, humor, visual marcante e grandes números musicais.

Myra Ruiz como Elphaba e Fabi Bang como Glinda
Plateia engajada e atmosfera de evento

Desde os primeiros minutos, a reação da plateia mostra que Wicked ainda acerta em cheio. Risos, suspiros, silêncio atento e aplausos no meio dos números surgem em vários momentos. “Popular” segue como um dos pontos mais divertidos da noite, mantendo o ritmo das piadas e das expressões no ponto, com Glinda arrancando boas gargalhadas. “Desafiar a Gravidade” continua sendo o ápice, com aquele combo de impacto vocal, efeitos de cena e o voo icônico de Elphaba sobre a plateia seguido de uma explosão de aplausos e assobios.

A sessão tem cara de celebração coletiva: espectadores que sabem todas as viradas vibram junto de quem está descobrindo a história pela primeira vez. Nos agradecimentos finais, o público se levanta com naturalidade, tornando palpável a sensação de que o musical permanece relevante e emocionalmente efetivo, mesmo após longa temporada.

Elphaba, Glinda e um eixo emocional bem construído

O eixo emocional de Wicked continua sendo a relação entre Elphaba e Glinda. Myra Ruiz, que interpreta Elphaba, entrega uma performance forte, com presença de cena intensa e domínio vocal nas passagens mais exigentes. “Desafiar a Gravidade” mantém seu status de momento catártico, em que a plateia praticamente prende a respiração.

Fabi Bang, por sua vez, equilibra bem o humor e a vulnerabilidade de Glinda. O timing cômico em “Popular” funciona com precisão, enquanto os momentos de conflito e quebra de expectativa revelam camadas mais sensíveis da personagem. A química entre as duas protagonistas atinge o clímax em “Tudo Mudou”, que ainda arranca lágrimas discretas em vários pontos da plateia.

O elenco de apoio sustenta o universo de Oz com segurança. Hypólyto, como Fiyero, aparece carismático e acompanha a curva da trama, enquanto figuras como Madame Morrible e o Mágico, interpretados por Karin Hills e Baccic, ajudam a evidenciar o subtexto político do musical, sobretudo na forma como o poder usa propaganda e distorce narrativas.

Visual, trilha e ritmo de superprodução

Cenário, luz e figurino são entregues em alto nível. O palco se transforma em uma versão fascinante de Oz, um lugar onde poder e espetáculo se misturam. O cenário com engrenagens, estruturas metálicas e um quê de conto de fadas distorcido que conversa bem com a presença do Mágico, traduz a ideia de espetáculo fabricado. A iluminação explora tons variados e bem vivos que fazem companhia a sombras profundas. As projeções bem trabalhadas tornam o espetáculo uma experiência imersiva, valorizando tanto os momentos íntimos quanto o conjunto de grandes cenas.

Os figurinos são um show à parte: o visual de Glinda provoca reações audíveis, enquanto a evolução do figurino de Elphaba acompanha a transformação da personagem em ícone temido e incompreendido. É seguro dizer que o espetáculo se sustenta perfeitamente como experiência visual forte e marcante.

Musicalmente, a montagem preserva a potência das canções de Stephen Schwartz. A orquestra mantém um som encorpado e bem equilibrado, e as músicas seguem funcionando como motor dramático da história. É provável que o público saia do teatro com alguns trechos na cabeça, porque a construção musical se impõe de forma muito eficiente.

Por que Wicked ainda funciona tão bem?

Mesmo depois de meses em cartaz, Wicked continua atual ao falar sobre medo do diferente, manipulação de narrativas e escolhas difíceis em nome da própria identidade. A história de Elphaba e Glinda dialoga com o público em diferentes níveis, seja pela fantasia, seja pelas metáforas afetivas e políticas ou até mesmo por gerar identificação com aspectos da vida real e cotidiana.

O equilíbrio entre humor e drama segue como um dos trunfos do musical. As cenas cômicas aliviam a tensão na medida certa, enquanto os momentos mais sombrios tratam de temas sérios sem perder o tom acessível. Em outras palavras, a direção entende bem que Wicked conversa com diferentes faixas etárias. Assim, ajusta o impacto da história para que a experiência atinja tanto fãs veteranos quanto novos espectadores.

Para quem nunca viu, a montagem brasileira funciona como porta de entrada poderosa para o universo dos grandes musicais. Para quem volta, a experiência ganha novas camadas a cada sessão, seja em detalhes de interpretação, seja em nuances da encenação e até mesmo nas recorrentes crises de riso entre os atores, que, diga-se de passagem, trazem leveza, espontaneidade e diversão.

Por isso, dizer que o musical segue emocionando como na primeira sessão não soa nem de longe um exagero. A magia continua lá, firme, em cada nota sustentada e em cada aplauso prolongado quando as luzes se apagam.

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