‘5 Tipos de Medo’ | Thriller nacional aposta em narrativa fragmentada e tensão psicológica para explorar os limites do medo humano

‘5 Tipos de Medo’ explora a influência do medo nas escolhas humanas e interliga narrativas à realidade periférica de Cuiabá.

Na edição de 2025 da CCXP, entre vários painéis, um título que me chamou muita atenção foi ‘5 Tipos de Medo’. O elenco apareceu por lá para divulgar o thriller nacional, falando do projeto, mostrando trechos, participando de entrevistas e criando uma grande expectativa para assistir à produção. A estreia está marcada para 9 de abril, quatro meses após o evento. Por aqui, já tivemos a chance de assistir, e fica a sensação de que a espera realmente valeu a pena.

Dirigido por Bruno Bini, o filme acompanha Murilo (João Vitor Silva), um músico lidando com o luto, que conhece Marlene (Bella Campos), uma enfermeira vivendo um relacionamento tóxico com o traficante Sapinho (Xamã). A história coloca no caminho deles uma policial movida por vingança e um advogado misterioso, criando um vínculo entre cada um deles. Bini passou dez anos desenvolvendo esse projeto, inspirado em histórias reais da periferia de Cuiabá. Bella, juntamente com o diretor, é natural da cidade, o que dá ao filme uma autenticidade ainda maior.

Um quebra-cabeça que vai se completando aos poucos

O filme começa com uma introdução direta sobre os maiores medos do ser humano e, a partir disso, assume uma narrativa fora de ordem. A estrutura parece confusa no início, mas se organiza conforme a história avança. As cenas funcionam como peças de um quebra-cabeça que vão se conectando aos poucos, sem deixar elementos soltos. A história inteira gira em torno do impacto do medo na mente dos personagens. Medo de perder, medo de morrer, medo de não ser livre. Cada escolha parte desses sentimentos. Algumas atitudes parecem bruscas em um primeiro momento, mas ganham sentido conforme o contexto se completa.

Essa atmosfera também é reforçada pela carga de um sentimento ligado ao período próximo ao fim da pandemia. Existe uma sensação constante de perda e de mudança repentina. Esse contexto aparece nas relações, nas decisões e na forma como os personagens lidam com o que acontece ao redor. A vida na periferia e a presença da fé entram como parte dessa construção. A história se desenvolve fora do eixo Rio-São Paulo, trazendo um olhar diferente no cinema nacional.

Vem aí um dos maiores destaques do ano?

O desfecho retoma a ideia apresentada no início e amarra as histórias. O medo permanece como ponto em comum entre todos os personagens e o desfecho de todos eles. A conclusão liga esse sentimento à própria experiência de estar vivo, fechando genialmente a proposta do filme. Depois de ganhar força em 2025, principalmente após o reconhecimento no Festival de Gramado, o filme chega aos cinemas sustentando o que foi construído desde a divulgação.

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