Em conversa sobre o novo ano da série do Disney+, elenco e criador comentam amadurecimento dos personagens, relacionamentos, amor próprio e os conflitos que chegam com a nova fase
A segunda temporada de ‘Amor da Minha Vida’ estreia em 9 de outubro no Disney+, levando Bia (Bruna Marquezine) e Victor (Sérgio Malheiros) para uma nova fase do relacionamento. Criada e escrita por Matheus Souza, a série acompanha os dois agora próximos dos 30 anos, diante de escolhas que colocam os próprios sonhos e a relação entre eles em lados diferentes. A nova leva de episódios também conta com o retorno de Marcelo (Danilo Mesquita) e Paula (Rayssa Bratillieri), além de novos personagens interpretados por nomes como Clarice Falcão, Rômulo Estrela, Maria Ribeiro, Alanis Guillen, Guida Vianna e Louise Cardoso.
Matheus Souza encontrou novas histórias para contar
Para Matheus, a possibilidade de continuar a produção está diretamente ligada ao fato de que as experiências amorosas nunca chegam realmente a um ponto final. O criador encontrou justamente nessa sucessão de paixões, términos e recomeços o material para desenvolver uma nova etapa.
“Acho que a série é uma série sobre se apaixonar e a gente tá sempre querendo se apaixonar e o público também. Então, enquanto eu estiver continuando me apaixonando, sofrendo, terminando, me desiludindo e me apaixonando de novo, eu boto sempre material pra escrever essa série.”
A ideia também passa por acompanhar uma geração que começa a perceber que crescer não significa necessariamente encontrar todas as respostas. “Eu vejo muito a série como uma saga sobre o que é amar dos 20 aos 30. E eu acho que a gente começou essa saída de amadurecimento ali na primeira temporada.”
Na nova fase, Bia e Victor precisam lidar com uma relação que finalmente saiu do campo da possibilidade e se tornou realidade. O problema é que estar juntos não elimina as dúvidas que cada um carrega sobre carreira, futuro e realização pessoal.

O que significa ser o amor da vida de alguém?
A pergunta que dá nome à produção também foi levada aos atores. Para Sérgio, a expressão está menos ligada a uma ideia idealizada de romance e mais à presença de alguém que divide os momentos bons e ruins.
“Eu acho que ser o amor da vida de alguém significa você se sentir abraçado, você ter acesso a uma farmácia com infinitas dipironas. Então, é você poder saber que você tem alguém pra contar, pra dividir a vida, o peso das amarguras da vida, e poder chegar em casa e ter alguém.”
Essa pessoa, segundo ele, não precisa necessariamente ser um parceiro. “Essa pessoa pode ser um amor romântico, ou alguém, um amigo, um irmão. Eu vejo muitas pessoas que têm uma parceria muito grande, uma conexão muito grande às vezes com um grande amigo, com um irmão.”
Danilo Mesquita leva a questão para um caminho diferente. Para ele, existe uma dificuldade anterior à construção de qualquer relacionamento: aprender a estabelecer uma relação mais saudável consigo mesmo.
“Eu acho que o grande desafio é a gente ser o amor das nossas vidas, né? A gente tá sempre muito disponível ao outro, a querer ser aceito, a querer ser gostado, a querer ser amado.”
O ator acredita que esse processo interfere diretamente na forma como nos relacionamos. “Pra mim, o grande desafio é a gente ser o amor da nossa própria vida. Porque eu acho que é a partir disso que a gente pode amar de forma mais saudável, responsável e mais bonita.”
Clarice Falcão amplia o significado do título
Clarice propõe uma interpretação ainda mais aberta para a expressão “amor da minha vida”. Para ela, a frase não precisa necessariamente apontar para uma pessoa específica e pode estar relacionada ao próprio sentimento de amar.
“Eu não sei se é muito fora da casinha, mas o título ‘Amor da Minha Vida’ pode realmente ser o amor ser alguém, mas tem o próprio amor, o amor da minha vida, o amor que eu sinto, não necessariamente por mim, mas o amor que eu sinto talvez até pelo próprio amor.”
A atriz também relaciona essa ideia ao próprio criador da série e aos personagens. “Dá pra ver que o Matheus é muito, acho que o amor da vida dele é amar, né? É se apaixonar. Acho que ele deu pra ver no discurso dele. Eu acho que, de certa forma, dá pra ver isso nos personagens também. Eles são apaixonados por se apaixonar.”
Para ela, pensar dessa maneira também tira parte do peso que colocamos sobre outra pessoa. “Se a gente pensa que o amor da vida, nesse caso, é o amor que você sente, você tira do outro e põe você de alguma forma.”
Louise Cardoso resumiu sua própria interpretação de maneira mais direta: “Eu acho que o amor da minha vida é viver a vida com amor, é o amor da vida, pelo todo. Jogar amor pra vida. Pra mim, eu vi assim.”
Rômulo Estrela completou a discussão, destacando que o amor também está em constante transformação. “Até porque esse amor é um amor que se renova toda hora, né? As coisas vão acontecendo, vão mudando, a gente segue amando. Hoje a gente pode amar uma coisa diferente.”
Bia amadurece e precisa encarar o que deixou de lado
Na nova temporada, Bia passa por um processo de amadurecimento marcado por conflitos que ela vinha evitando. Bruna explica que a personagem tem o hábito de transformar as próprias experiências em histórias, mas encontra dificuldades quando precisa simplesmente viver aquilo que está acontecendo.
“Eu acho que ela amadurece nessa temporada, enfrentando e apanhando um pouco da vida, assim, da realidade, de como a vida é. Porque eu acho que ela tem uma tendência muito grande de romantizar a vida, de enxergar as coisas que acontecem com ela já tentando transformar isso num roteiro, já tentando transformar isso numa história, numa piada, num projeto.”
Segundo a atriz, essa característica também interfere na maneira como Bia se relaciona. “Eu acho que ela tem um pouco de dificuldade de viver as coisas, de se comprometer com relações. Eu acho que ela tem uma tendência muito grande de romantizar tudo.”
A personagem também passa a questionar a própria ideia de sucesso. “Eu acho que ela quebra um pouco a cara nessa segunda temporada. Eu acho que ela está tentando entender o que é sucesso pra ela, quando ela quer ser bem-sucedida profissionalmente, o que é sucesso no amor.”
A nova fase ainda aborda questões relacionadas à saúde mental. “A gente fala também de questões de saúde mental nessa temporada, que eu acho muito, muito interessante. Ela botou muita coisa pra debaixo do tapete por muitos anos e não quis lidar com as partes da vida dela que ela acha que não geram um roteiro de sucesso, um filme de sucesso.” Para a atriz, é justamente esse confronto que permite à personagem avançar. “Eu acho que ela amadurece muito nessa temporada tendo que lidar com isso tudo.”
Entre conselhos, terapia e personagens que também erram
Questionada sobre o que diria à própria personagem, Bruna não hesitou: “Terapia, muita terapia. Pra correr atrás de uma solução.” A atriz acredita, porém, que Bia teria dificuldade para aceitar esse conselho. Ela enxerga na personagem um medo de que melhorar emocionalmente possa significar perder justamente aquilo que considera parte de sua identidade criativa.
“Eu acho que ela tem um pouco de medo de se curar e deixar de ser interessante. Tem medo de se curar e perder uma parte muito grande da personalidade dela e não saber mais sobre o que escrever, que tem dificuldade de acreditar que o que é saudável rende história.”
Louise Cardoso também brincou com a ideia de aconselhar sua personagem. “O conselho que eu daria pra minha personagem e também para a personagem da Guida, é: pare de fumar. Mas eu acho que elas não ouviriam.”
A atriz também aproveitou para elogiar a nova temporada e a forma como a série retrata sua geração e as seguintes. “Eu amei a segunda temporada. Nossa, num grau, não que eu não tivesse amado a primeira. Eu amei. Mas a segunda eu achei com profundidade.” Para ela, a produção consegue falar de diferentes gerações justamente por não transformar seus personagens em figuras perfeitas.
“Eu achei que o Matheus, e a direção, e o elenco captam a alma de uma geração, de uma maneira muito profunda e forte. E que não fica só pra essa geração, fica pra minha, fica para uma geração mais nova.Todos os personagens são humanos. Todos. Mesmo os menores têm essa dialética, eles são controversos. Como a Maria falou, eles erram muito, mas tem uma leveza, tem um humor, tem uma graça que encanta e aí o povo se identifica.”

Gabriel Godoy aposta na longevidade da série
Gabriel Godoy, que já era espectador da primeira temporada antes de integrar o elenco, acredita que a principal força da produção está justamente na possibilidade de continuar explorando situações comuns da vida.
“Eu me pergunto por que não existem mais séries parecidas, assim, no audiovisual brasileiro. Eu fico sempre perguntando, porque eu, quando eu vi a primeira temporada, eu virei fã. Quando eu fiquei sabendo que eu ia fazer a segunda, eu fiquei muito feliz, porque eu fui um consumidor da primeira.”
O ator também acredita que o tema permite que a série continue por muito tempo. “Eu acho que é uma série que tem fôlego pra três, quatro, cinco, seis, sete, dez temporadas, porque a gente tá falando da vida, a gente tá falando de amor.”
Além de elogiar o elenco, Gabriel destacou a experiência de trabalhar novamente com Matheus Souza e com a equipe de direção. Para ele, essa troca também aparece no resultado final. “É uma construção muito conjunta, o que também para nós, atores, é um prazer.”

A segunda temporada de ‘Amor da Minha Vida’ estreia em 9 de outubro de 2026 no Disney+, trazendo novamente os personagens que conquistaram o público e ampliando a discussão sobre aquilo que existe entre se apaixonar, amar, sofrer e aprender a viver consigo mesmo.




